Rescisão indireta: o que é, como funciona e como o RH deve agir para evitar riscos trabalhistas

Foto mostra pessoas trabalhando em um escritório amplo

Entenda os critérios legais, o passo a passo do processo e as implicações para empresas. Veja também como fortalecer práticas internas de gestão para prevenir litígios e proteger a reputação empregadora.

A rescisão indireta ocorre quando o trabalhador encerra o vínculo formal alegando falta grave cometida pelo empregador. É um mecanismo previsto na legislação trabalhista que garante ao empregado os mesmos direitos de uma demissão sem justa causa. 

E para o RH, entender melhor o que é rescisão indireta é essencial para administrar riscos, orientar lideranças e padronizar procedimentos internos.

Pensando nisso, a Pluxee preparou um post especial com todas as informações mais importantes. Você vai ver:

Quando a rescisão indireta se aplica?

A rescisão indireta se aplica quando há descumprimento contratual por parte da empresa, conforme hipóteses previstas no artigo 483 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Os cenários mais recorrentes incluem:

  • Atraso salarial reiterado.
  • Cobranças com rigor excessivo (assédio moral).
  • Exposição a risco ocupacional.
  • Falta de pagamento de obrigações contratuais ou legais.
  • Redução salarial sem amparo legal.

Segundo dados do Tribunal Superior do Trabalho, quase 140 mil ações relativas ao tema foram recebidas até 2023, e o número só cresce, reforçando o risco jurídico e reputacional para empresas que não padronizam processos de compliance trabalhista.

Na prática, a rescisão de contrato de trabalho indireta ocorre quando o empregado considera que a empresa descumpriu uma obrigação contratual grave e, por isso, busca o desligamento com garantias legais, incluindo saldo salarial, aviso-prévio, férias proporcionais + 1/3, 13º proporcional, FGTS e multa de 40%.

Rescisão indireta e demissão por justa causa são a mesma coisa?

Não, a rescisão indireta funciona como um contraponto à justa causa: enquanto a justa causa é aplicada pelo empregador, a rescisão indireta é solicitada pelo colaborador, motivada por condutas irregulares da empresa.

Qual é a base legal da rescisão indireta?

O fundamento jurídico está no artigo 483 da CLT, que lista circunstâncias específicas que caracterizam falta grave patronal. Para que o pedido seja validado, a alegação deve ser comprovada de forma documental.

O colaborador pode pedir rescisão indireta sem entrar com processo judicial?

Sim, ele pode relatar a irregularidade internamente. Porém, para reconhecimento formal, o caminho usual é a ação judicial, onde o juiz avalia provas e define se a rescisão é procedente.

A empresa deve tentar resolver o problema antes que vire uma ação?

Com certeza! Quando há a comunicação interna de irregularidades, o RH deve investigar imediatamente e corrigir os pontos identificados. Empresas com práticas formais de governança de RH e ação rápida e eficiente reduzem significativamente o risco de judicialização.

A rescisão só é válida após decisão judicial?

Na maioria dos casos, sim. Embora o colaborador possa se afastar alegando falta grave, é o Judiciário que valida ou não a rescisão e determina o pagamento das verbas.

Dados de mercado sobre rescisões e desligamentos apontam que a maioria tem decisão favorável ao trabalhador, reforçando a importância de prevenir falhas operacionais e contratuais.

Quais são os principais motivos para a rescisão indireta?

Os principais motivos para rescisão indireta estão diretamente vinculados às hipóteses do artigo 483 da CLT. As ocorrências mais relevantes são:

Exigência de atividades incompatíveis com a função ou que coloquem a saúde em risco

Inclui sobrecarga frequente, jornada abusiva ou atribuições que extrapolam os limites de segurança.

Rigor excessivo e/ou assédio moral

Pressões indevidas, humilhações, ameaças ou postura abusiva de lideranças constituem falta grave.

Pesquisas apontam que cerca de 46% das mulheres e 42% dos homens brasileiros já vivenciaram episódios de assédio moral. Para o RH, esse é um indicador crítico de gestão.

Descumprimento de obrigações contratuais

Atraso salarial recorrente, inconsistências em benefícios, falhas no pagamento de adicionais ou irregularidades estruturais de jornada são exemplos frequentes, e esse é um dos fatores que mais leva colaboradores a alegar rescisão indireta pela CLT.

Exposição a risco físico ou estrutural

Ausência de manutenção adequada, máquinas inseguras ou falta de EPI caracterizam violação grave.

Redução salarial sem respaldo legal

Qualquer alteração contratual que prejudique diretamente o empregado e não esteja respaldada por acordo coletivo válido pode levar à rescisão.

Quando a rescisão indireta não se aplica?

Algumas situações não caracterizam falta grave, embora gerem desconforto:

  • Divergências de opinião entre gestor e colaborador;
  • Feedbacks estruturados, mesmo que firmes;
  • Sobrecarga pontual em períodos excepcionais;
  • Insatisfação subjetiva sem evidências documentais.

Para validar a rescisão indireta, é necessário apresentar comprovação documental da falta grave, e não somente percepções individuais.

Como a empresa deve proceder no caso de rescisão indireta

Qual é o primeiro passo do RH ao receber uma denúncia?

Registrar formalmente o relato, abrir investigação interna, coletar evidências e ouvir as partes envolvidas. O processo deve ser conduzido com confidencialidade e imparcialidade.

Quando acionar o departamento jurídico?

O jurídico deve ser acionado imediatamente em casos que envolvem pagamento, contratos, jornada, assédio moral e segurança do trabalho. A análise técnica evita decisões reativas e reduz riscos de condenação.

Que documentos coletar?

O RH deve reunir:

A documentação estruturada favorece uma defesa consistente caso o processo avance judicialmente.

A empresa deve corrigir o problema mesmo se a ação judicial já estiver em curso?

Sim! A correção imediata demonstra boa-fé e reduz impacto operacional e reputacional.

Impactos e consequências de uma rescisão de contrato de trabalho indireta

Impactos financeiros

A confirmação judicial da rescisão exige que a empresa pague todas as verbas rescisórias equivalentes à demissão sem justa causa, além de possíveis indenizações adicionais. Isso impacta diretamente o fluxo de caixa e o planejamento financeiro.

Impactos operacionais

A ocorrência indica, em geral, falhas estruturais que exigem revisão de processos, adequação de políticas internas e realinhamento de práticas de liderança. Esses ajustes podem demandar investimento, reestruturação e treinamento.

Impactos reputacionais

Ações desse tipo prejudicam a reputação empregadora e afetam diretamente o engajamento e a satisfação interna. Atualmente, a reputação interna é considerada um critério decisivo para o permanecimento dos colaboradores nas empresas, e também para a atração de novos talentos.

Checklist rápida: como o RH pode prevenir riscos e fortalecer processos internos

🔲 Consolidar controles claros de jornada, benefícios e folha de pagamento.

🔲 Treinar líderes para condutas adequadas e gestão humanizada.

🔲 Garantir canais seguros e anônimos para denúncia.

🔲 Formalizar políticas e garantir comunicação interna consistente.

🔲 Auditar pagamentos e práticas de benefícios regularmente.

Essas medidas reduzem drasticamente o risco da rescisão indireta se tornar uma demanda recorrente no ambiente organizacional.

Concluindo

A rescisão indireta é um mecanismo legal relevante e deve ser tratada com rigor técnico pelo RH. Para evitar litígios, é essencial que a empresa entenda a rescisão indireta e como funciona, além de manter processos transparentes, lideranças treinadas, documentação precisa e práticas sólidas de governança trabalhista.

Em pequenas e médias empresas, onde estruturas são mais enxutas, esses cuidados são ainda mais essenciais para reduzir riscos, melhorar o engajamento interno e preservar a estabilidade operacional da organização.

Na prática

  • A rescisão indireta exige comprovação documental e segue critérios estritos do artigo 483 da CLT, o que demanda investigação interna estruturada;
  • Processos sólidos de jornada, benefícios e liderança reduzem significativamente o risco de litígios e preservam a marca empregadora;
  • Ações de prevenção são mais eficazes e menos custosas do que a defesa judicial após a solicitação de desligamento indireto.

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