Licença-maternidade: entenda regras, duração e direitos
Saiba mais sobre a licença-maternidade, um direito garantido pela legislação trabalhista brasileira e que envolve prazos, estabilidade no emprego e regras específicas de pagamento.
A chegada da parentalidade para as mamães altera significativamente a rotina de trabalho, demandando que as empresas se planejem. Por isso, a legislação brasileira estabelece regras claras para garantir a proteção tanto da colaboradora quanto do bebê ao longo dessa fase.
Nesse post do blog da Pluxee, explicamos mais sobre a licença-maternidade, quais são as responsabilidades das empresas e como estruturar uma gestão alinhada à conformidade legal e à estratégia de capital humano.
Continue lendo para entender melhor pontos como:
- A licença-maternidade é um direito trabalhista e previdenciário fundamental. A legislação brasileira garante 120 dias de afastamento remunerado, estabilidade no emprego e pagamento por meio do salário-maternidade, com compensação previdenciária para a empresa;
- O RH tem papel central na gestão operacional e estratégica do afastamento parental. Organizar prazos, documentação e substituição de funções evita riscos trabalhistas e mantém a continuidade das operações da empresa;
- Empresas que estruturam políticas de parentalidade fortalecem a retenção de talentos. Programas como o Empresa Cidadã e iniciativas de reintegração profissional reduzem a evasão de mulheres do mercado e reforçam a responsabilidade social corporativa.
O que é a licença-maternidade e por que ela existe?
A licença-maternidade é um afastamento remunerado concedido à trabalhadora em razão do nascimento de um filho, da adoção ou da guarda judicial para fins de adoção. Durante esse período, a colaboradora se afasta das atividades profissionais para a recuperação do período puerperal e para os cuidados iniciais com a criança.
Esse direito está previsto na Constituição Federal e regulamentado pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e pela legislação previdenciária. A lei da licença-maternidade integra o sistema de seguridade social brasileiro, garantindo proteção à infância e estabilidade profissional durante um período de proteção legal intensificada.
Para profissionais de RH e gestores, compreender como funciona a licença-maternidade é fundamental para garantir conformidade jurídica, evitar passivos trabalhistas e organizar o planejamento operacional da equipe.
Quanto tempo dura a licença-maternidade?
Uma das dúvidas mais frequentes no ambiente corporativo é sobre a licença-maternidade e quanto tempo ela dura.
A legislação brasileira estabelece um período mínimo de 120 dias de afastamento remunerado. Esse prazo pode começar até 28 dias antes do parto, mediante apresentação de atestado médico.
A duração da licença está diretamente ligada a recomendações de saúde pública: o Ministério da Saúde recomenda amamentação exclusiva durante os primeiros seis meses de vida do bebê, o que influenciou políticas públicas voltadas à ampliação do período de afastamento parental.
Quem tem direito à licença-maternidade pela CLT?
A licença-maternidade CLT é garantida a trabalhadoras com vínculo formal de emprego e também a seguradas da Previdência Social.
Entre os grupos contemplados estão:
- trabalhadoras com carteira assinada;
- empregadas domésticas;
- servidoras públicas;
- contribuintes individuais da Previdência Social.
A legislação também prevê direitos equivalentes em casos de adoção e licença-maternidade: o artigo 392 da CLT determina que o período de afastamento seja o mesmo concedido às mães biológicas, independentemente da idade da criança adotada.
Essa equiparação reforça a proteção jurídica à infância e ao processo de adaptação familiar após a adoção.
Qual é a importância da estabilidade durante a gestação e após o parto?
Outro elemento central da legislação é a estabilidade na licença-maternidade, e a Constituição Federal garante que a trabalhadora gestante não pode ser demitida sem justa causa desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto.
Essa regra está prevista no artigo 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) – uma seção da Constituição que estabelece normas específicas e temporárias para determinadas situações jurídicas.
Na prática, a estabilidade gestacional impede demissões arbitrárias durante o período de proteção legal intensificada. Caso a dispensa ocorra nesse intervalo, a empresa pode ser obrigada a reintegrar a funcionária ou pagar uma indenização equivalente.
Como funciona o pagamento da licença-maternidade pela empresa?
O pagamento realizado durante o afastamento é chamado de salário-maternidade, um benefício previdenciário financiado pela Previdência Social.
O processo ocorre da seguinte forma:
- A empresa continua pagando normalmente o salário da colaboradora durante a licença;
- O valor pago é registrado como salário-maternidade;
- Posteriormente, o empregador compensa esse valor nas contribuições previdenciárias devidas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Esse mecanismo garante continuidade de renda para a trabalhadora e simplifica o acesso ao benefício previdenciário.
Programa Empresa Cidadã
Muitas empresas buscam ampliar o período de afastamento parental por meio do programa Empresa Cidadã na licença-maternidade.
Criado pela Lei nº 11.770/2008, o programa permite estender a licença de 120 para 180 dias. A adesão é voluntária para empresas tributadas pelo regime de lucro real.
Em contrapartida, a organização pode deduzir do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) o valor correspondente à remuneração paga nos 60 dias adicionais de afastamento, limitado ao valor total do imposto devido.
Para que a prorrogação ocorra, a colaboradora precisa solicitar a extensão da licença até o final do primeiro mês após o parto.
Qual é o papel do RH na gestão da licença-maternidade?
A gestão da licença-maternidade envolve diversas responsabilidades operacionais e estratégicas dentro das empresas: o departamento de Recursos Humanos precisa garantir conformidade legal, organização documental e planejamento de equipe durante o afastamento parental.
E para facilitar essa atuação, é possível dividir essa responsabilidade em duas frentes principais.
Gestão operacional: documentos, prazos e organização interna
A gestão operacional envolve procedimentos administrativos necessários para formalizar o afastamento parental e manter a regularidade trabalhista.
Entre as tarefas do RH estão:
- receber e registrar o atestado médico ou documento de adoção;
- formalizar o início do afastamento no sistema de folha de pagamento;
- organizar a comunicação interna sobre o período de ausência;
- acompanhar os registros previdenciários relacionados ao salário-maternidade.
Outro ponto importante é o planejamento de substituição temporária da função. Essa etapa garante a continuidade das atividades da área e reduz impactos operacionais durante o período de afastamento.
Gestão estratégica: retenção de talentos e jornada profissional
Além do suporte burocrático, cabe ao RH integrar o afastamento parental à estratégia de capital humano da organização.
Empresas que tratam a parentalidade de forma estruturada fortalecem a retenção de talentos femininos e aumentam a satisfação interna das equipes.
A Fundação Getulio Vargas (FGV) publicou em 2018 a pesquisa “Mulheres perdem trabalho após terem filhos”, que aponta que cerca de 50% das mulheres deixam o mercado formal até 24 meses após o início da licença, reforçando a importância de políticas corporativas voltadas à permanência dessas profissionais.
Checklist prático para o RH administrar a licença-maternidade
Para transformar as regras legais em ações práticas, o RH pode utilizar um checklist operacional durante o afastamento parental:
-
Receber atestado médico ou documento judicial de adoção.
-
Registrar oficialmente o início da licença-maternidade no sistema de RH.
-
Atualizar folha de pagamento para inclusão do salário-maternidade.
-
Planejar redistribuição de atividades ou substituição temporária.
-
Monitorar o período de estabilidade licença-maternidade.
-
Estruturar plano de reintegração da colaboradora antes do retorno ao trabalho.
Esse tipo de organização reduz riscos jurídicos e facilita o acompanhamento da jornada profissional da colaboradora durante o afastamento.
Por que a cultura organizacional afeta a retenção de mães no trabalho?
Empresas sem políticas claras de parentalidade enfrentam maior rotatividade de talentos femininos.
O afastamento parental representa um momento decisivo na trajetória profissional, e o retorno ao trabalho exige um plano de reintegração estruturado para garantir produtividade, adaptação à nova rotina familiar e continuidade da carreira.
Entre as práticas adotadas por organizações que priorizam retenção estão:
- programas de retorno gradual ao trabalho;
- horários flexíveis temporários;
- políticas de trabalho híbrido ou remoto;
- espaços de apoio à amamentação;
- acompanhamento do desenvolvimento profissional após o retorno.
Essas iniciativas integram a discussão sobre afastamento parental à estratégia de gestão de pessoas e à responsabilidade corporativa em relação à proteção social.
Concluindo
A licença-maternidade representa um dos pilares da proteção social no mercado de trabalho brasileiro. O direito assegura tempo de afastamento remunerado para recuperação do período de puerpério e cuidados iniciais com a criança, mantendo a estabilidade profissional da trabalhadora.
Compreender como funciona a licença-maternidade, seus prazos, regras de pagamento e garantias legais permite que empresas operem com segurança jurídica e planejamento organizacional.
Além da conformidade com a CLT, organizações que estruturam políticas de parentalidade ampliadas contribuem para a retenção de talentos e fortalecem sua estratégia de capital humano.
No longo prazo, o afastamento parental deve ser compreendido dentro de um contexto mais amplo de seguridade social, proteção à infância e responsabilidade corporativa. Para o RH, isso significa transformar uma obrigação legal em uma política consistente de gestão de pessoas e sustentabilidade organizacional.
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