Modelos de trabalho: quais são, o que diz a CLT e como escolher o ideal para sua empresa
Saiba mais sobre os principais modelos de trabalho adotados pelas empresas, seus impactos na gestão de pessoas e como o RH pode escolher o formato mais adequado à realidade de cada setor e negócio.
Nos últimos anos, os modelos de trabalho passaram por transformações profundas no Brasil. Impulsionadas pela pandemia, digitalização acelerada e mudanças de expectativa dos profissionais, empresas de todos os portes precisaram rever onde, como e quando o trabalho acontece.
Para o RH, essa discussão deixou de ser apenas operacional e passou também a ser estratégica, impactando diretamente a produtividade, clima organizacional, atração de talentos, custos e até a gestão de benefícios.
Hoje, não existe um único formato considerado “ideal” para todas as organizações: cada empresa precisa avaliar seu contexto, cultura, tipo de operação e perfil dos colaboradores para tomar decisões mais sustentáveis no médio e longo prazo.
Pensando nisso, a Pluxee te convida a explorar os principais modelos adotados atualmente no Brasil e no mundo, seus prós e contras, o que a legislação diz sobre cada um e como escolher o mais adequado para a sua realidade. Vem com a gente!
Quais são os principais modelos de trabalho atuais?
Trabalho presencial
O trabalho presencial é o formato tradicional, no qual o colaborador exerce suas atividades integralmente nas dependências físicas da empresa, com jornada e local previamente definidos.
Esse modelo ainda é predominante em setores que exigem operação física, como indústria, varejo, saúde, logística e parte do setor de serviços. De acordo com dados do IBGE, mais de 60% dos trabalhadores brasileiros ainda atuam de forma presencial, especialmente fora dos grandes centros urbanos.
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Vantagens |
Desvantagens e pontos sensíveis |
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Custos mais elevados com estrutura física, transporte e benefícios associados |
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Facilidade de comunicação imediata entre equipes |
Menor flexibilidade para o colaborador |
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Fortalecimento da cultura organizacional no dia a dia |
Impacto negativo no engajamento em funções que poderiam ser realizadas remotamente |
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Menor dependência de infraestrutura tecnológica doméstica |
Quando falamos no modelo de trabalho presencial, é importante avaliar se ele é uma exigência real da operação ou apenas uma herança cultural. Em alguns casos, manter o trabalho 100% presencial pode dificultar a atração e retenção de talentos, especialmente em áreas administrativas e de tecnologia.
Trabalho home office e trabalho remoto
O trabalho home office ganhou um enorme protagonismo a partir de 2020 e se consolidou como alternativa viável para diversas funções. Nesse formato, o colaborador exerce suas atividades majoritariamente de casa, com uso intensivo de tecnologia.
Já o trabalho remoto é um conceito mais amplo: ele permite que o profissional trabalhe fora da empresa, não necessariamente em casa, podendo utilizar coworkings ou outros ambientes. Porém, é importante ressaltar que os termos “home office” e “trabalho remoto” muitas vezes são usados para significar apenas o modelo de trabalho feito fora do escritório, sem uma distinção clara entre casa e outros ambientes.
Segundo a PNAD Contínua (IBGE), o Brasil chegou a ter mais de 9 milhões de pessoas trabalhando remotamente durante o pico da pandemia. Mesmo com a retomada do presencial, o formato segue relevante, especialmente em empresas de serviços, tecnologia, marketing e finanças.
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Vantagens |
Desvantagens e pontos sensíveis |
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Redução de custos operacionais |
Risco de isolamento social e enfraquecimento da cultura |
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Aumento da flexibilidade e da autonomia |
Dificuldade de gestão de desempenho se não houver processos claros |
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Ampliação do acesso a talentos fora do eixo geográfico da empresa |
Necessidade de adaptação da liderança |
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Possível ganho de produtividade individual |
Questões ergonômicas e de controle de jornada |
A CLT reconhece o teletrabalho desde a Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467/2017), com ajustes posteriores, como a Lei nº 14.442/2022, que trouxe mais clareza sobre controle de jornada, fornecimento de equipamentos e priorização de vagas remotas para pessoas com deficiência e pais de crianças pequenas.
Modelo de trabalho híbrido
O modelo de trabalho híbrido combina dias de atuação presencial com dias de trabalho remoto. Atualmente, é um dos formatos mais adotados por empresas de médio e grande porte no Brasil.
Dados da pesquisa Future of Work, da Fundação Dom Cabral, indicam que mais de 70% das empresas brasileiras que adotaram modelos flexíveis optaram pelo híbrido como padrão.
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Vantagens |
Desvantagens e pontos sensíveis |
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Equilíbrio entre flexibilidade e convivência presencial |
Risco de desigualdade entre equipes presenciais e remotas |
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Redução de custos sem abrir mão da cultura organizacional |
Necessidade de regras claras para evitar conflitos |
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Maior satisfação dos colaboradores |
Gestão mais complexa de agendas e espaços físicos |
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Possibilidade de adaptar o formato por área ou função |
Para trabalhar de forma híbrida, o RH precisa definir critérios objetivos: quantidade de dias presenciais, elegibilidade por função, políticas de reembolso, controle de ponto e comunicação interna eficiente.
Anywhere office
O conceito de anywhere office leva a flexibilidade um passo adiante: nesse modelo, o colaborador pode trabalhar de qualquer lugar, inclusive fora da cidade ou do país, desde que cumpra suas responsabilidades.
Mas afinal, o que é anywhere office, na prática? Trata-se de um modelo que exige maturidade organizacional, processos bem definidos, foco em entregas e atenção redobrada a aspectos legais, fiscais e de segurança da informação.
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Vantagens |
Desvantagens e pontos sensíveis |
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Forte atrativo para talentos qualificados |
Complexidade jurídica, especialmente em casos internacionais |
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Ampliação da quantidade de talentos disponíveis |
Diferença de fusos horários |
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Aumento da autonomia e do engajamento |
Desafios na gestão de benefícios e folha de pagamento |
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Necessidade de políticas muito bem estruturadas |
No Brasil, a CLT não possui uma regulamentação específica para o anywhere office internacional, o que exige análise caso a caso, apoio jurídico e alinhamento com o RH estratégico.
O que a CLT diz sobre os modelos de trabalho?
A legislação brasileira evoluiu para reconhecer formatos mais flexíveis, mas ainda exige atenção. A CLT trata principalmente do teletrabalho, estabelecendo que:
- As regras devem constar em contrato ou aditivo;
- A empresa deve definir responsabilidade sobre equipamentos e infraestrutura;
- O controle de jornada pode ou não existir, dependendo do modelo adotado.
Independentemente do formato, direitos como férias, 13º salário, FGTS e benefícios continuam válidos. O desafio do RH está em adaptar políticas internas, controle de ponto, benefícios corporativos e comunicação para cada realidade.
Como escolher o modelo de trabalho ideal para sua empresa?
Não existe resposta única. A escolha deve ser estratégica e baseada em dados. Alguns critérios essenciais incluem:
- Natureza da atividade: funções operacionais exigem presença física? Atividades intelectuais permitem flexibilidade?
- Perfil dos colaboradores: maturidade, autonomia e expectativas da equipe.
- Cultura organizacional: empresas mais tradicionais podem precisar de transições graduais.
- Infraestrutura tecnológica: segurança da informação, sistemas de ponto, gestão de benefícios e comunicação.
- Custos e impacto financeiro: espaço físico, benefícios, turnover e absenteísmo.
- Conformidade legal: adequação à CLT e mitigação de riscos trabalhistas.
Empresas com maior flexibilidade tendem a apresentar índices mais altos de engajamento e retenção, desde que o modelo seja bem estruturado.
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Qual é o papel do RH na sustentabilidade dos modelos de trabalho?
Mais do que definir onde o trabalho acontece, o RH é responsável por garantir que o modelo escolhido seja justo, produtivo e sustentável. Isso envolve revisar políticas de benefícios (vale-refeição, vale-alimentação, auxílio home office), controle de ponto, gestão de desempenho e comunicação interna.
Plataformas integradas de gestão, como as da Pluxee, ajudam o RH a adaptar benefícios e processos a diferentes formatos, mantendo conformidade legal e eficiência operacional, independentemente do modelo adotado.
Concluindo
Os modelos de trabalho refletem uma nova forma de pensar a relação entre empresa e colaborador. Seja presencial, remoto, híbrido ou flexível, o sucesso está menos no formato escolhido e mais na clareza das regras, na qualidade da liderança e na capacidade do RH de alinhar estratégia, pessoas e legislação.
Especialmente para pequenas e médias empresas, a escolha consciente do modelo pode ser um diferencial competitivo relevante – desde que feita com planejamento, dados e foco no longo prazo.
Na prática
- A escolha do modelo de trabalho deve considerar a natureza da operação, a maturidade da equipe e a estratégia de longo prazo da empresa.
- Modelos flexíveis tendem a aumentar engajamento e retenção, mas exigem políticas claras, liderança preparada e atenção à legislação trabalhista.
- O RH tem papel central na adaptação de benefícios, controle de ponto e processos para garantir eficiência, conformidade legal e boa experiência do colaborador.
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