Bets: o papel do RH na conscientização sobre apostas online
Falar sobre o tema é cuidar das pessoas. Com empatia, dados consistentes e educação financeira, o setor pode transformar realidades
Estamos diante de um problema sério, que não é apenas de quem joga: as bets. São as apostas online, geralmente vinculadas a eventos esportivos. Com formato de lances ou joguinhos, transmitem sempre a mensagem de dinheiro fácil. Mas, na verdade, se trata de um mecanismo que vicia, engana e destrói.
Para se ter uma ideia, 15% dos brasileiros com mais de 16 anos declararam ter feito algum tipo de aposta em 2024, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Entre esses indivíduos, 47% estão endividados.
Segundo um estudo realizado pela Unifesp, 1,4 milhão de pessoas desenvolveram transtornos de jogo, levando a prejuízos financeiros, sociais e/ou pessoais.
Dados do Instituto DataSenado apontam ainda que brasileiros com renda familiar de até dois salários mínimos são os que mais apostam - o volume corresponde a 52% do total.
Os números impressionam. Reafirmam que as empresas responsáveis ganham cada vez mais dinheiro. Quem perde é a população.
Mas e aí, o que o RH pode fazer para amenizar o problema?
As pessoas estão apostando o dinheiro de rescisões contratuais, programas sociais e até mesmo de benefícios corporativos que recebem dos seus empregadores. Isso implica em uma queda expressiva na qualidade de vida. Com menos capital para comprar comida, por exemplo, famílias inteiras tendem a enfrentar problemas de ordem física e também mental.
Consequentemente, tais jogos influenciam as relações pessoais, o estudo e também o desempenho no trabalho, impactando características como criatividade e produtividade. Sim, nesse universo há apenas um ganhador: as casas de apostas.
O RH, por sua vez, tem um papel muito importante. Dois, na verdade. O primeiro é trabalhar na conscientização do time. Transmitir a mensagem clara de que as bets são prejudiciais. É essencial dizer que não se trata de uma alternativa possível para o enriquecimento ou para a resolução de problemas, como o pagamento de dívidas.
A informação também é crucial no sentido de ajudar as pessoas identificarem que têm um vício, se ele houver efetivamente. Muita gente não consegue perceber no início e a situação só se agrava. Falar abertamente sobre o tema, mostrando dados e descrevendo o comportamento de indivíduos que enfrentam esse problema, é uma maneira consistente de orientar.
O outro papel é falar sobre educação financeira. O conhecimento é a base de decisões melhores, mais inteligentes, sem ações por impulso ou desespero.
Entenda, a seguir, como o setor pode contribuir na prática.
3 ações essenciais do RH na conscientização contra as apostas online
Trabalhe campanhas internas
Faça comunicados sobre o tema, trazendo dados de pesquisas confiáveis. Mostre o que são as bets, quais as consequências de apostar e o que tem acontecido no Brasil, sobretudo em relação a vício e endividamentos. Orientar é sempre o melhor caminho.
Ofereça apoio
Muitas pessoas já podem estar com esse problema e você nem imagina. Por essa (e muitas outras) que trabalhar a segurança psicológica é essencial. Colaboradores precisam ter liberdade para falar de todos os assuntos. Se houver um espaço seguro, a troca acontece e você pode ajudá-los.
Capacite sobre educação financeira
Muita gente recorre às casas de apostas por terem dívidas. Aqui, o importante é contribuir para que as pessoas não cheguem nesse extremo. Então, trabalhe o tema frequentemente, organize palestras, ofereça materiais interessantes e disponibilize uma consultoria/apoio, se possível.
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Resumindo, a conscientização depende de um trabalho consistente. Consistência significa: constância, conteúdo de qualidade e humanização das relações no trabalho.
Quer uma ajudinha extra nesse sentido? Já salva a imagem abaixo para compartilhar com o seu time e entender como vocês podem estruturar ações eficientes.