Presenteísmo no trabalho: como identificar e prevenir

Saiba o que é presenteísmo, como identificar seus sinais e quais práticas de RH ajudam a proteger o desempenho, a saúde e o bem-estar dos colaboradores

Na correria? A Pluxee resume para você:

- O presenteísmo ocorre quando o colaborador permanece trabalhando, porém apresenta sua capacidade de desempenho reduzida por questões físicas, emocionais ou psicológicas;

- A diferença entre absenteísmo e presenteísmo está principalmente na forma como o problema aparece: enquanto o absenteísmo envolve a ausência, o presenteísmo ocorre durante a permanência no trabalho;

- Queda de rendimento, erros, dificuldade de concentração, afastamento emocional e perda de qualidade nas entregas estão entre os sinais que merecem atenção;

- Pesquisas de clima, indicadores de pessoas e canais de escuta ajudam o RH a identificar fatores organizacionais associados ao presenteísmo;

- Medidas relacionadas à saúde mental, à organização do trabalho, à liderança, aos benefícios e à qualidade de vida contribuem para uma estratégia preventiva.

O presenteísmo vem ganhando cada vez mais relevância nas discussões sobre saúde e desempenho porque a presença no trabalho, por si só, não revela como o profissional está conseguindo realizar suas atividades: um colaborador pode continuar cumprindo sua jornada e permanecer disponível, enquanto dores, estresse, sobrecarga ou dificuldades emocionais reduzem sua capacidade de concentração e entrega.

Para o RH, reconhecer esses sinais permite investigar as condições que afetam a rotina das equipes e estruturar medidas preventivas. A análise de indicadores, a escuta dos profissionais, o preparo das lideranças e políticas de cuidado ajudam a identificar o problema antes que seus efeitos se ampliem.

O que é presenteísmo?

Presenteísmo é a permanência no trabalho com capacidade de desempenho reduzida por fatores físicos, emocionais ou psicológicos. E para entender melhor como essa situação funciona, é preciso observar a diferença entre presença e capacidade efetiva de atuação.

Dores, doenças, cansaço intenso, estresse, ansiedade, dificuldades emocionais e problemas pessoais afetam a concentração e a disposição. Em modelos híbridos ou remotos, o fenômeno fica ainda menos perceptível, porque a presença passa a ser observada principalmente pela disponibilidade digital.

O presenteísmo no trabalho também aparece de forma gradual: uma pessoa que demora mais para concluir tarefas, apresenta dificuldade para tomar decisões ou reduz sua participação em reuniões demonstra sinais que exigem investigação sobre sua rotina de trabalho.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) relaciona problemas de saúde mental a impactos sobre desempenho, segurança e capacidade de permanência no trabalho. As diretrizes publicadas em 2022 sobre o tema também incluem intervenções organizacionais e capacitação de gestores entre as medidas baseadas em evidências.

Qual é a diferença entre presenteísmo e absenteísmo?

A distinção fica mais clara quando os dois indicadores são observados lado a lado.

O absenteísmo representa as ausências do trabalhador, enquanto o presenteísmo emocional ocorre quando a pessoa está presente e trabalhando, mas com capacidade de desempenho comprometida.

Por isso, acompanhar faltas e sinais de redução do rendimento amplia a leitura sobre a saúde organizacional.

Uma empresa pode apresentar baixos índices de ausência e conviver com equipes sobrecarregadas, desmotivadas ou emocionalmente desgastadas. A correlação entre absenteísmo e presenteísmo amplia a análise sobre as condições que influenciam a capacidade de trabalhar.

Aspecto

Absenteísmo

Presenteísmo

Manifestação

Ausência do trabalho

Presença com desempenho reduzido

Causas frequentes

Doenças, acidentes e questões pessoais

Dor, estresse, sobrecarga e sofrimento emocional

Impacto

Horas ou dias de trabalho perdidos

Queda de rendimento, erros e retrabalho

Gestão

Acompanhamento de faltas e afastamentos

Observação de sinais, escuta e análise das condições de trabalho

 

Quais são os principais problemas causados pelo presenteísmo?

Os impactos do presenteísmo aparecem em diferentes dimensões da empresa. Entre os mais comuns, estão:

  • redução do rendimento;
  • aumento da ocorrência de erros;
  • queda na qualidade das entregas;
  • dificuldade de concentração;
  • menor capacidade de tomada de decisão;
  • atrasos em atividades e projetos;
  • redução da colaboração entre equipes;
  • aumento da sobrecarga sobre outros profissionais;
  • piora no bem-estar do funcionário.

A situação também cria um ciclo de desgaste: quando um profissional trabalha abaixo de sua capacidade durante períodos prolongados, tarefas se acumulam, a pressão aumenta e a recuperação se torna mais difícil.

A OMS e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estimaram, em publicação de 2022, a perda anual de cerca de 12 bilhões de dias de trabalho no mundo devido à depressão e à ansiedade, com custo estimado em quase US$ 1 trilhão para a economia global.

Quais são os principais sinais de presenteísmo?

Quando falamos em presenteísmo, os exemplos mais fáceis de reconhecer envolvem mudanças perceptíveis no desempenho. Entre eles, estão: atrasos recorrentes, dificuldade de concentração, queda repentina no rendimento e aumento de retrabalho.

Também existem sinais comportamentais — um profissional que costumava participar das discussões e passa a permanecer constantemente retraído pode estar enfrentando algum tipo de dificuldade. Alterações no relacionamento com colegas, irritabilidade, cansaço frequente e perda de interesse pelas atividades também merecem atenção.

Como o RH pode identificar o presenteísmo?

A identificação começa pela combinação de diferentes fontes de informação, e é importante que o RH avalie o conjunto dos sinais, e não apenas os comportamentos individuais. 

A análise torna-se mais precisa e efetiva quando considera tendências, indicadores, conversas de acompanhamento e informações obtidas por canais confiáveis de escuta.

Uma pesquisa de clima empresarial pode ser uma ótima fonte de informações, já que suas respostas ajudam a compreender fatores como carga de trabalho, relacionamento com a liderança, autonomia, reconhecimento e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Outro indicador que complementa essa análise é o índice de felicidade, utilizado como medida de percepção e combinado a outros dados. O objetivo é compreender tendências e identificar pontos de atenção, preservando a distinção entre satisfação e desempenho.

Conversas estruturadas entre líderes e profissionais também têm papel relevante — uma liderança próxima identifica mudanças antes que elas se transformem em problemas maiores.

O que a NR-1 determina sobre riscos psicossociais?

A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) estabelece disposições gerais sobre segurança e saúde no trabalho e o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). 

Desde 26 de maio de 2026, o capítulo 1.5 inclui expressamente fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no GRO. Entre esses fatores, estão: o excesso de demandas ou sobrecarga, assédio e falta de suporte ou apoio no trabalho, que se relacionam diretamente a problemas como o presenteísmo.

Como combater o presenteísmo nas empresas?

Combater o presenteísmo exige atuar sobre as condições que favorecem sua ocorrência. Algumas medidas integram uma estratégia consistente de gestão de pessoas.

Promova uma cultura de saúde mental

A saúde emocional no trabalho depende de um ambiente em que as pessoas tenham espaço para falar sobre dificuldades e buscar apoio. Programas de assistência psicológica ampliam o acesso à orientação profissional e complementam políticas internas.

O Pluxee Cuida é um programa de assistência psicológica e jurídica que integra a estrutura de benefícios oferecida aos colaboradores, contribuindo para um ambiente de trabalho cada vez mais saudável, produtivo e eficiente.

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Avalie a organização do trabalho

Sobrecarga, pressão constante, jornadas mal dimensionadas, falta de autonomia e baixa clareza sobre responsabilidades contribuem para riscos psicossociais.

A avaliação deve considerar como o trabalho é organizado e quais fatores afetam a saúde dos profissionais, em articulação com as exigências de segurança e saúde ocupacional.

Prepare as lideranças

Gestores estão próximos da rotina das equipes e podem perceber alterações de comportamento antes dos indicadores formais. Por isso, precisam receber orientação para conduzir conversas, distribuir demandas de maneira adequada e encaminhar situações que exigem suporte especializado.

A atuação da liderança também influencia diretamente a percepção de segurança e confiança dentro das equipes.

Fortaleça os benefícios corporativos

Benefícios integram uma estratégia mais ampla de cuidado. Recursos relacionados à alimentação, saúde, assistência psicológica, mobilidade e qualidade de vida oferecem suporte em diferentes dimensões da jornada do colaborador.

A gestão desses recursos deve estar alinhada às necessidades identificadas pelos próprios profissionais.

Acompanhe a experiência do colaborador

A gestão da experiência do colaborador contribui para organizar uma visão integrada da jornada profissional. Pesquisar percepções, analisar pontos de atrito e acompanhar indicadores identifica momentos em que a experiência de trabalho começa a piorar. 

Essa abordagem focada em employee experience management aproxima decisões de RH das necessidades reais das equipes e transforma dados em ações preventivas.

Como relacionar trabalho e qualidade de vida?

A relação entre trabalho e qualidade de vida merece atenção contínua porque a experiência profissional influencia diretamente a rotina das pessoas. Uma organização que acompanha carga de trabalho, saúde, relacionamento, autonomia e reconhecimento atua sobre fatores que afetam o bem-estar.

A OMS destaca que ambientes de trabalho seguros e saudáveis favorecem a saúde mental. Suas diretrizes recomendam ações organizacionais para enfrentar fatores como cargas de trabalho pesadas e comportamentos negativos.

Por isso, iniciativas de qualidade de vida precisam estar conectadas à gestão cotidiana: campanhas pontuais complementam a estratégia, enquanto mudanças na organização do trabalho sustentam resultados ao longo do tempo.

Como criar uma estratégia preventiva de presenteísmo?

Uma estratégia consistente começa pelo diagnóstico. O RH cruza indicadores de faltas, afastamentos, horas extras, rendimento, rotatividade e percepção dos colaboradores para identificar padrões.

A gestão de absenteísmo continua sendo importante e ganha uma dimensão mais ampla quando o RH observa também sinais de presenteísmo. A leitura conjunta dos dados permite investigar se determinadas equipes, períodos ou processos concentram sinais de desgaste.

A partir daí, a empresa pode estabelecer planos de ação específicos, acompanhar resultados e revisar as medidas adotadas.

Como abordar um colaborador com sinais de presenteísmo?

O primeiro passo é conduzir uma conversa reservada, objetiva e acolhedora. O gestor deve descrever mudanças observáveis no trabalho, ouvir o profissional e perguntar quais condições estão afetando sua rotina.

Em seguida, a liderança deve avaliar ajustes possíveis na organização das atividades e apresentar os canais de apoio disponíveis. Questões clínicas exigem encaminhamento para profissionais habilitados, preservando a confidencialidade das informações pessoais.

O foco da conversa está nas condições de trabalho e no suporte necessário para a continuidade saudável das atividades.

Perguntas frequentes sobre presenteísmo

Presenteísmo e absenteísmo são a mesma coisa?

Não. O absenteísmo envolve ausência, enquanto o presenteísmo ocorre quando o colaborador trabalha com capacidade de desempenho reduzida.

Quais são os principais sinais de presenteísmo?

Queda no rendimento, aumento de erros, dificuldade de concentração, cansaço frequente e mudanças de comportamento são sinais comuns.

Quais fatores causam o presenteísmo?

Problemas de saúde, estresse, sobrecarga, dificuldades pessoais e condições inadequadas de trabalho estão entre os principais fatores associados ao presenteísmo.

Como o RH pode identificar casos de presenteísmo?

O RH pode cruzar indicadores de rendimento, horas extras, afastamentos e pesquisas internas. Conversas com líderes e colaboradores complementam essa análise.

Como reduzir o presenteísmo nas empresas?

A prevenção envolve organizar melhor o trabalho, preparar lideranças, fortalecer a escuta e oferecer suporte à saúde física e emocional.

Concluindo

O presenteísmo representa um desafio que permanece invisível quando a presença é utilizada como principal sinal de desempenho. Pessoas podem estar trabalhando e, ao mesmo tempo, apresentar queda significativa na concentração, na tomada de decisão e na capacidade de entrega.

Por isso, prevenir esse fenômeno exige uma abordagem integrada de saúde, liderança, organização do trabalho, benefícios e experiência do colaborador.

Para o RH, o principal avanço está em substituir uma leitura baseada exclusivamente em presença e ausência por uma análise mais completa das condições que permitem às pessoas trabalhar com saúde, equilíbrio e capacidade de entrega. Essa visão fortalece a liderança de equipes e cria bases mais consistentes para uma organização saudável e sustentável.

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